Texto de leitor | A Argentina também vai nos passar em web e interactive Lucio Mahin
Olhando os resultados dos últimos London Awards e Gunn Report, tirei uma conclusao bem simples - daqui a 3 anos mais ou menos, a Argentina vai nos passar também em web e interactive - as únicas áreas onde inda mantemos uma "certa superioridade". Pois se antes o massacre se restringia a TV, agora, até em mídia impressa os caras estao dando na gente… e de lavada. Vide o frescor, a novidade e o desapego a velhas formulas das peças apresentadas. Enquanto isso, por aqui, os maioresm exemplos de criatividade da publicidade nacional dos últimos tempos tem sido as fantásticas desculpas para esconder a própria incapacidade de reverter a situaçao ou de explicar por que nao conseguimos fazer um grande comercial de TV, algo que nos entretenha com qualidade, novidade e inteligência no horário do break comercial. Vendo de longe até parece que na Argentina nao tem cliente chato, verba pequena, gente analfabeta. A desculpa também sempre foi que a nossa situaçao econômica era ruim e o mercado acabava refletindo isso. Desculpe, mas se tem uma área no Brasil que ultimamente tem apresentado resultados como "nunca antes" é a área econômica, vide a euforia das bolsas, lucros recordes dos bancos, o aumento do consumo pelas classes mais baixas, a explosao do mercado de alto luxo, o crescimento do PIB, o biodisel, a descoberta de novo poço de petróleo, o Brasil entre os Brics, nossa capacidade de suportar a crise mundial do crédito, etc, etc, etc. E cadê os reflexos dessa pequena 'movida' na publicidade??? Enquanto isso, a Argentina, que nao vive um momento econômico sequer próximo do nosso, parece refletir o contrário. Parece que eles é que estao em alta nos noticiários econômicos do mundo inteiro. Olhando as páginas do CCSP, YouTube, sites e blogs nacionais da área, infelizmente nao consigo enxergar nenhuma luz. As campanhas que sao incensadas parecem meras repetiçoes do que já foi feito, a velha formula das piadinhas (que parecem ser sempre as mesmas contadas por publicitários criativosos paulistas em roda de amigos) e nada mais. Brastemp, Electrolux, Tim, Claro, Volkswagen, Havaianas, Bradesco, Telefônica… Será que eles nao rendem sequer 1, apenas 1, filme mundialmente memorável por ano? Sao clientes grandes, com verbas grandes, poder de fogo, e atendidos por grandes agências. Podem ir além, muito além, de um fantasminha de bronze
Argentina também vai nos passar em web e interactive |leitora comenta
Luciana Setúbal
Concordo de forma plena com o texto do Lucio Mahin aqui. E me pergunto se essa situaçao nao se deve ao esgotamento do formato atual da atividade publicitária no Brasil, marcada pelo excesso de horas de trabalho, importada do berço da publicidade, os EUA. Nao é difícil - aliás, é bem fácil - ver colegas achando comum enfrentar uma jornada de trabalho de 12, 14 horas por dia. Cadê o tempo de ir ao cinema, ler (literatura, nao livro técnico somente), ver TV, enfim, curtir amigos, família, simplesmente se reebastecer de conteúdo, sensaçoes, experiências agradáveis?""É assim que se cria, até onde sei. Mas a maioria dos publicitários atuais acredita no velho estereótipo do publicitário-lotado-de-trabalho-que-dorme-na-agência, e só se 'reabastece' lendo sites e publicaçoes da área (nao seria por isso a sensaçao de deja vu, hummmm, já vi essa campanha antes?) E a maioria das agências ainda aposta em um formato de empresa que combina equipe reduzida-muitos clientes-altos lucros, sem atentar em pagar plano médico, oferecer ginástica laboral, criar banco de horas. Ou seja - sem adotar práticas empresariais consagradas, preferindo seguir um modelo que já foi descartado pela maioria dos clientes que elas mesmas atendem. A era da escravidao ainda continua nas agências. Crie-se maravilhosa e diferentemente com um barulho desses".


Nenhum comentário:
Postar um comentário